Planos odontológicos crescem
e entram no centro da agenda regulatória da ANS!
O mercado de planos exclusivamente odontológicos encerrou 2025 em trajetória de crescimento, impulsionado principalmente pela adesão a contratos empresariais, mesmo diante de um cenário de desaceleração do PIB e maior cautela das empresas na concessão de benefícios. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o segmento incorporou mais de 1 milhão de novos beneficiários ao longo do ano.
Somente entre os meses de novembro e dezembro, foram registrados mais de 204 mil novos vínculos. No acumulado de 2025, o número de adesões confirma a resiliência do setor, que avançou mesmo em um ambiente econômico marcado por crescimento moderado e revisão de despesas corporativas.
Para o Dr. Roberto Cury, presidente da SINOG — entidade que representa cerca de 73% dos beneficiários do mercado de planos odontológicos —, o desempenho chama atenção justamente pelo contexto em que ocorre. Segundo ele, a expansão reflete a consolidação do benefício como uma alternativa acessível e estratégica dentro das empresas. “Os planos odontológicos se firmaram como uma porta de entrada para a saúde bucal, com impacto direto na prevenção, no bem-estar e na qualidade de vida dos trabalhadores”, afirma.
Atualmente, aproximadamente 74,6% dos beneficiários de planos exclusivamente odontológicos estão vinculados a contratos coletivos empresariais, o que reforça o protagonismo do segmento corporativo no crescimento do setor. Além de ampliar o acesso à assistência odontológica, as empresas têm associado o benefício a ganhos em produtividade, redução de afastamentos e fortalecimento das políticas de cuidado com os colaboradores.
Para 2026, o cenário tende a exigir ainda mais atenção. O ano será marcado pela definição da nova agenda regulatória da ANS, atualmente em consulta pública, além de mudanças na diretoria da agência, em um contexto influenciado pelo calendário eleitoral. Esse ambiente amplia o nível de atenção regulatória e reforça a necessidade de previsibilidade, diálogo técnico e estabilidade para a sustentabilidade do modelo.
Outro ponto relevante na agenda do setor é a reforma tributária. As operadoras defendem a manutenção da alíquota aplicável aos serviços de saúde como medida essencial para preservar a acessibilidade dos planos odontológicos e garantir a viabilidade do benefício para empresas e trabalhadores, especialmente em um momento de pressão sobre custos.
A agenda de 2026 também deve intensificar o uso de dados, inteligência artificial e soluções digitais na operação das operadoras odontológicas. A adoção dessas tecnologias tende a impactar positivamente a experiência do beneficiário, a relação com a rede credenciada e a eficiência operacional, além de qualificar o diálogo regulatório com base em evidências.
“O crescimento consistente dos planos odontológicos confirma uma mudança importante no setor. A saúde bucal deixou de ocupar um espaço secundário e passou a integrar de forma mais clara a agenda de saúde do país. O desafio agora é garantir que essa expansão seja sustentável nos próximos anos”, conclui Roberto Cury.


