Reclamações contra planos de saúde disparam: o que está por trás da insatisfação dos beneficiários?

O número de reclamações contra planos de saúde aumentou 26% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O dado representa a sexta alta consecutiva e acende um alerta para beneficiários, empresas e gestores de recursos humanos.

O levantamento foi acompanhado pelo banco JPMorgan com base no Índice Geral de Reclamações (IGR), indicador da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que relaciona o número de queixas à quantidade de beneficiários.

O crescimento das reclamações acontece em um momento de pressão sobre todo o setor. De um lado, as operadoras enfrentam inflação médica, envelhecimento da população, aumento da utilização dos serviços e custos relacionados à judicialização. Do outro, consumidores e empresas convivem com reajustes elevados, dificuldades de atendimento e dúvidas sobre coberturas, reembolsos e autorizações.

O que explica o aumento das reclamações?

É importante entender que uma reclamação registrada na ANS não significa necessariamente uma negativa de atendimento. As demandas também podem envolver carência, documentação, reembolso, cobrança, rede credenciada e outros assuntos administrativos.

Ainda assim, a alta registrada merece atenção. Quando o beneficiário não consegue resolver uma solicitação diretamente com a operadora, a queixa pode chegar aos canais da ANS por meio da Notificação de Intermediação Preliminar (NIP). Segundo informações divulgadas pelo setor, esse mecanismo resolve grande parte das demandas antes que elas avancem para outras etapas.

Na prática, o aumento do IGR mostra que existe uma dificuldade maior na relação entre consumidores e operadoras. Para quem utiliza o plano de saúde, isso reforça a importância de conhecer o contrato, acompanhar os protocolos de atendimento e buscar orientação sempre que houver uma negativa ou cobrança que pareça indevida.

Planos coletivos exigem atenção especial

A proteção regulatória não é igual para todos os tipos de contrato. Os planos individuais e familiares regulamentados têm um limite de reajuste anual definido pela ANS. Para o período de maio de 2026 a abril de 2027, o índice autorizado é de 5,11%.

Já os planos coletivos empresariais ou por adesão seguem regras diferentes. Nesses casos, o reajuste é negociado entre a operadora e a empresa ou entidade contratante e não existe um teto anual geral fixado pela ANS da mesma forma que nos planos individuais.

Essa diferença ajuda a explicar por que o tema preocupa tanto as empresas. O plano de saúde pode representar uma das maiores despesas relacionadas a benefícios e, quando não há acompanhamento adequado, um reajuste elevado afeta o orçamento, a retenção de talentos e a percepção dos colaboradores sobre o benefício oferecido.

A insatisfação não deve ser analisada de forma isolada

Embora o aumento de 26% seja relevante, ele não deve ser interpretado automaticamente como uma deterioração generalizada do atendimento de todas as operadoras. O próprio setor ressalta que mais de 53 milhões de pessoas possuem plano de saúde no país e que são realizados milhões de consultas, exames, internações e procedimentos diariamente.

Por isso, o dado precisa ser analisado em conjunto com o número de beneficiários, o volume de atendimentos, o tipo de reclamação e o histórico de cada operadora. Uma empresa pode apresentar poucas reclamações em números absolutos, mas ter um índice elevado quando o resultado é comparado ao tamanho da sua carteira.

A ANS disponibiliza um painel que permite consultar o desempenho das operadoras, o total de reclamações, a quantidade de beneficiários e o IGR por período. No segundo trimestre de 2026, a agência classificou 221 operadoras médico-hospitalares no critério de excelência no relacionamento com o consumidor e outras 20 operadoras no critério de redução de reclamações.

O que o beneficiário pode fazer?

Antes de registrar uma reclamação, o primeiro passo é procurar a operadora pelos canais oficiais e guardar o número do protocolo. Também é importante reunir documentos, pedidos médicos, comprovantes, respostas recebidas e todas as informações relacionadas ao caso.

Se a situação não for resolvida, o beneficiário pode buscar a ANS e verificar os prazos aplicáveis ao atendimento solicitado. Em casos mais complexos, especialmente quando há risco à saúde, negativa de procedimento ou interrupção de tratamento, pode ser necessário buscar orientação especializada.

Também vale consultar o histórico da operadora antes de contratar ou trocar de plano. O preço é importante, mas não deve ser o único critério. Rede credenciada, abrangência, regras de reajuste, canais de atendimento e índice de reclamações fazem parte da análise que ajuda a evitar problemas no futuro.

E o que as empresas podem fazer?

Para as empresas, o cenário mostra que oferecer o plano de saúde não é suficiente. É preciso acompanhar a qualidade do benefício e entender como os colaboradores estão utilizando a assistência.

Uma gestão eficiente começa com a análise de dados de utilização, reclamações, reajustes e perfil de saúde da população. A partir dessas informações, a empresa consegue identificar gargalos, orientar os colaboradores sobre o uso correto do plano e negociar com mais segurança durante a renovação do contrato.

Programas de prevenção, acompanhamento de doenças crônicas, estímulo ao cuidado contínuo e canais de suporte também ajudam a reduzir a utilização inadequada do pronto atendimento e melhorar a experiência dos beneficiários. Cuidar melhor da saúde das pessoas pode proteger tanto o bem-estar da equipe quanto o orçamento da empresa.

Informação é a melhor ferramenta para tomar decisões

O aumento das reclamações contra planos de saúde reforça uma necessidade que já vinha crescendo no mercado: beneficiários e empresas precisam deixar de olhar apenas para o valor da mensalidade.

A qualidade do atendimento, a transparência da operadora, o histórico de reclamações e a estrutura de gestão do benefício devem fazer parte da decisão. Para as empresas, esse acompanhamento é ainda mais importante, porque permite agir antes que um problema de atendimento se transforme em insatisfação generalizada ou em um reajuste difícil de absorver.

Na Bom Plano, acreditamos que informação e estratégia são fundamentais para transformar o plano de saúde em um benefício sustentável. Com análise de dados, acompanhamento especializado e gestão preventiva, é possível proteger o investimento da empresa e oferecer mais segurança para quem realmente importa: as pessoas.

Sua empresa acompanha os índices de reclamação e a qualidade do plano de saúde oferecido aos colaboradores?

Referências

[1] Queixas contra planos de saúde têm alta recorde de 26% em agosto, diz JPMorgan, Bloomberg Línea.

[2] ANS atualiza avaliação das operadoras com base em reclamações dos beneficiários.

Conteúdo elaborado com base em informações disponíveis em 15 de setembro de 2026. Os índices, regras e condições dos planos podem ser atualizados pelos órgãos reguladores.

Autor: Bom Plano Seguros